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Jogador brasileiro é resgatado e PF investiga tráfico humano

O jogador de futebol Moisés Santana Brisolla, 20, desembarcou em Porto Alegre, na noite de terça-feira (30), dando fim a uma história que começou como um sonho em viver “uma vida de xeique” jogando no futebol dos Emirados Árabes Unidos e terminou com um pesadelo. O atleta foi resgatado pelo Itamaraty após supostamente trabalhar sem salário em uma fábrica de cosméticos.
A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar se houve tráfico humano. Ainda na noite de terça-feira, após 25 horas de viagem, Moisés deu depoimento à PF por 2 horas e 40 minutos e participou de uma oitiva com representantes do Ministério do Trabalho e da Defensoria Pública da União.
Moisés, que joga como atacante, estava atuando pelo Água Santa, de Diadema (SP), no Campeonato Paulista Sub-20, quando foi procurado por um empresário chamado Wilson Tuia, que ele havia conhecido em uma peneira ao final de 2020. Tuia tem uma empresa e teria oferecido um contrato com o Al Rams Club, dos Emirados Árabes.
A Folha de S.Paulo tentou contato com o clube, mas não obteve retorno. Os empresários Tuia, que teria mediado a transação, e Michel Mrad, que hospedou Moisés em Dubai e tem uma fábrica de cosméticos, alegam que o jogador sabia do teor exato da proposta -na verdade, uma peneira- e que ele escolheu ficar no país por conta própria após ser dispensado.
“Ele [Tuia] entrou em contato comigo dizendo que eu tinha uma chance em Dubai. Que a oportunidade era única. Chance de carro, casa, dinheiro. Uma vida literalmente de xeique. Mas que eu não poderia meter empresário no meio e nem o clube em que eu estava. Que eu seria contratado e que, se eu não fosse [para Dubai], eu seria muito bobo”, disse Moisés.
Apesar do conselho de Tuia, Moisés disse que comunicou ao seu empresário à época, Rogério Sérgio Coutinho, e a um parente sobre a viagem, mas não ao Água Santa. Às vésperas de um jogo, em julho de 2022, Moisés fugiu do clube. Aos colegas que o procuraram por WhatsApp, disse que tinha voltado ao Rio Grande do Sul, sua terra natal, para ver a avó.
Contatado pela Folha, Coutinho disse que tentou demover Moisés da ideia e se prontificou a falar com o Água Santa para tentar uma saída amigável, mas o jogador já estava decidido. O empresário disse que considerou o contrato entre os dois rompido.
Moisés chegou a ter o embarque barrado duas vezes no Aeroporto de Guarulhos por questões de visto. Conseguiu embarcar ao trocar de companhia aérea e ter em mãos uma passagem de volta -nunca utilizada- para uma semana após a ida. As passagens foram compradas por um amigo de Tuia.
Uma vez em Dubai, Moisés conta que ficou hospedado em um hotel do Al Rams, mas diz que não havia contrato algum, apenas uma peneira com dezenas de jogadores de outras nacionalidades. Cerca de dois meses de treinos depois, ele teria sido dispensado após passar mal após um treino por ter câimbras.
Após ser cortado, Moisés disse que foi convencido por Michel a ficar ao menos mais um mês nos Emirados Árabes fazendo novas tentativas em outros clubes. Ficaria hospedado em sua casa junto com outro brasileiro que estava na mesma condição, chamado Othavio.
Moisés chegou a fazer peneiras de um dia em três outros clubes, dois nos Emirados Árabes e um em Omã. Michel, então, teria acenado com uma proposta de emprego dizendo que, se o atleta não gostasse, pagaria a passagem para ele voltar.
Na fábrica, Moisés afirma que as jornadas de trabalho eram das 7h às 22h e que ele trabalhava descarregando ou embarcando mercadorias. Nesse tempo, recebia apenas algum dinheiro quando tinha despesa pessoal, mas nunca um salário. Isso durou cerca de sete meses. Em troca da hospedagem, seria responsável também por tarefas domésticas.
Em determinado momento, Michel teria dito que se Moisés quisesse voltar, deveria acionar Tuia ou Marcelo para bancar seu retorno. O jogador, então, entrou em contato com um parente no Brasil para tentar viabilizar seu resgate. Um dos contatos feitos pelo familiar foi com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, que acionou o Itamaraty em 30 de março.
Em 21 de abril, após uma discussão, Moisés diz ter pego parte dos seus pertences e embarcado em um ônibus sem pagar para Porto Rashid, onde parou em uma estação e pediu a um policial que fizesse contato com a embaixada do Brasil. Já a par do caso, a embaixada enviou uma servidora para resgatá-lo.
O retorno do jogador esbarrou ainda na portaria 402/2022, que proíbe que o governo arque com multas de brasileiros que estão em situação ilegal em outros países. No caso de Moisés, a multa de R$ 10 mil foi paga por uma vaquinha mobilizada pela deputada estadual Laura Sito (PT).
Contatados pela Folha, Wilson Tuia e Michel Mrad contam versões que divergem da de Moisés. Tuia admite ter sido o porta-voz do interesse do Al Rams, mas alega que Moisés estava ciente de que a oportunidade no time árabe era apenas um teste e nega ter aconselhado o jogador a não comunicar seu clube. Diz ter indicado Moisés por acreditar legitimamente que se tratava de um jogador diferenciado.
Michel admite ter hospedado Moisés, a quem chama de “ingrato”, mas nega ter feito qualquer tipo de intermediação ou tradução entre ele e o Al Rams. Disse que acolheu o jogador a pedido de Othavio, que segue morando com ele, e que já havia acolhido anteriormente outros brasileiros, mas por solidariedade.
Sobre o trabalho de Moisés em sua fábrica, Michel diz que o jogador apenas o acompanhou “quatro ou cinco vezes, se muito”, mas sem ter trabalhado. Nega ainda ter feito proposta de emprego, ter levado o jogador a peneiras ou prometido a passagem de volta. Ele e Tuia admitem se conhecer, mas ambos negam qualquer associação entre eles.Veja Mais:

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Fonte: Diário do Pará 

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